SAUDADE
Autoria - Silvana Duboc
01/06/2003
 
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Se eu pudesse picar a saudade em mil pedacinhos 
depois jogá-la no mar
deixando que as ondas pudessem levar
a angústia que a acompanha
a tristeza que nela se entranha...
 
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Se eu pudesse amassar a saudade
como se ela fosse uma bola de papel
e depois lançá-la ao léu...
 
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Se eu pudesse neutralizar
tanta dor e tanto gostar
por um espaço de tempo
que eu ordenasse ao relógio marcar...
 
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Se eu pudesse eliminar
cada lembrança que o meu coração,
triste e em sofreguidão,
insiste em ter...
 
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Se eu pudesse de certa fisionomia esquecer
cheiros, no meu olfato, adulterar
objetos, das minhas vistas, afastar
instantes, da minha memória, deletar...
 
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Se eu pudesse da minha mente apagar
todos os detalhes que me fazem lembrar
que a saudade tão latente
 em mim vive a apedrejar...
 
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Se eu pudesse amar
sem de certa presença necessitar
ou sem nunca do objeto do meu amor 
ter que me afastar...
 
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Se eu pudesse não olhar pra trás,
enterrar os dias que já terminaram,
celebrar os que restaram...
 
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Se eu pudesse, a cruel realidade da ausência, enfrentar
sem rios de lágrimas derramar,
sem neles afluentes criar...
 
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Se eu pudesse estagnar a saudade
em oceanos congelados
impossíveis de serem navegados...
 
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Se eu pudesse, na hora do adeus,
 descolar do peito o meu coração
e escondê-lo em algum lugar
onde ele não precisasse presenciar 
tamanha emoção...
 
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Se eu pudesse ser eu mesma
tanto na falta
quanto na omissão
que foram impostas ao meu coração...
 
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Se a saudade, diante de tudo isso, tivesse de mim
ao menos um fio de compaixão...
 
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Formatação by Shiv@

 

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