|
Sagração
do Amor Vem
deitar-te comigo nos trigais, Na
maciez da grama orvalhada, Na
magia desta noite enluarada No
brilho e no encanto do sereno...
Vem
deitar-te comigo na esteira da noite E inventaremos
palavras e estrelas Na
escuridão da madrugada. Talvez
um novo céu, quiçá um outro mar Quem
sabe até mesmo uma outra primavera...
Vem
deitar-te comigo nas amareladas folhas Que
forram o solo, como a formar um ninho E
desbravaremos o mudo silêncio Onde habitam
abismos...
Vem
deitar-te comigo e, dos sonhos, Tiraremos
as algemas Para
que voem livres na amplidão Tendo
como companhia apenas o vento De
imprecisa direção...
Vem
deitar-te comigo e deixa que o encanto Deste
infinito momento circule em nossos corpos E
que naveguem barcos de carinho em nossas veias...
Vem
deitar comigo Colheremos
fragmentos de luz pelos poentes E
junto a perfumes e pétalas de amor Os semearemos
Em
secretas cavernas Para
que brotem e ali permaneçam Como
legado Tesouro
que os deuses Um
dia em testamento nos deram E
hoje Em
ritual de sagração do amor A
eles devolvemos... Maricell - junho-2004
|